Does it make any sense?! No? So, welcome.
16
Jan 11
publicado por Andi, às 23:43link do post | comentar | ver comentários (2)

Abro a página e aparece um aviso a perguntar-me se quero recuperar um rascunho que fiz, mas não publiquei. Digo que não. Quero um recomeço. Há tantas coisas que me arrependo de não ter feito, essencialmente de não ter feito, de não ter arriscado. Quem diz que nunca se arrepende de nada é dos maiores mentirosos que pode existir. Essencialmente porque sabem que isso não é verdade.

 

Cliché, não é? Infeliz ou felizmente é verdade, não estou com discernimento para poder decidir, a maior parte dos clichés é verdade. E o maior problema é que por ser cliché não nos lembramos deles. A questão de como tudo é efémero, incluindo a vida, e que por causa disso, podemos dar prioridades a certas coisas não passa de conversa de café ou de conversa de talkshow patético. Pergunto-me quantos de nós tentam ou tentarão fazer aquilo que realmente querem, que lhes surge no ímpeto da sua personalidade?

 

Os medos, as fobias, as pressões, as sociedades, a pseudo-racionalidade são como muros sólidos e imbatíveis ao que queremos. Contudo, muros já foram derrubados, barreiras esbatidas... Engraçado como as questões se nos deparam diferentes conforme pensamos numa perspectiva mundana ou universal.

 

Estou com crises existenciais de adolescente... Podem dizer, e é verdade, afirmo-o. Mas nem vamos entrar por aí, a vida não tem idade, os sentimentos, ou pensamentos são só restringidos quando tiveres 30? E quando tiveres 20 só podes fazer asneiras, e com 70 o melhor é deitares numa cama até ao fim dos teus dias esperando que a doce Morte te arrebate dessa apatia!? Que se lixem as convenções e esses impedimentos.

 

"Today is the greatest day of your life".

 

 

 

 

 

sinto-me: fuck limits
música: Smashing pumpkins - Today

22
Out 09
publicado por Andi, às 12:29link do post | comentar

1. O escoamento em Lisboa é óptimo! Não há nada que eu adore mais nesta cidade. O único pormenor que eu gostava de ver resolvido era que ele realmente existisse. Muito simples, na terça-feira enquanto me dirigia à faculdade, com o meu guarda- chuva foleiro, mas essencial em dias de chuva, que até por acaso nem chovia muito, ia eu pelos caminhos tortuosos daquela imitação de relvado em frente à reitoria, pensando que era o Rambo, ao caminhar sobre a relva lamacenta, desviando-me dos carros, e correndo nas passadeiras, o que realmente aconteceu foi que fiquei alagada até às cuecas, e por conseguinte faltei à aula. Para além de tudo o que referi, e acrescentando que nesse trajecto não existem passeios, pois estão a ser remodelados, tenho ainda que agradecer aos condutores conscientes que quando vêm uma autêntica ribeira na estrada, em que há uma altura estupidamente elevada de água, aceleram como a Elisabete Jacinto no Lisboa-Dakar. Um sincero muito obrigado!

 

2. Dar sangue não custa nada. Hoje fui fazer a minha primeira doação e sinceramente, é algo que até pode ser agradável. Neste momento escrevo com o meu braço esquerdo com dois pensos, e não me custa teclar (grande coisa não?). Por isso não sejam pussys e façam como eu.

 

3. A última constatação é do conhecimento geral (right...), eu não tenho tido motivo, pachorra, motivação para escrever no blog, Preciso de um brainstorm!

sinto-me: sem sangue! xD
música: Teardrop - Massive Attack

09
Nov 08
publicado por Andi, às 15:51link do post | comentar | ver comentários (1)

Protegidos por casas confortáveis, com roupa supostamente bonita, todas as comodidades indicadas como as suficientes para nos fazer sentir felizes, uma vida (quase) perfeita. Muitos amigos, um trabalho, alguém para constituir família, e passar assim os nossos dias.

 

Nem sei como escrever isto, se começarei por dizer que sou eu a ingénua, mas consigo ver falsidade e hipocrisia em quase tudo o que me rodeia, ou se acho que simplesmente é um modo de estar na vida. Conectar-se a tudo, apenas superficialmente, conhecer o suficiente para dizer que conhece, e poder tirar proveito disso, mas não profundamente, para algum dia poder ajudar essa alguém, ter que se sacrificar, tirar algum do seu tempo, prestar atenção a alguém.

 

É assim que me encontro debaixo da ponte, desprotegida do vento agreste da falsidade e do oportunismo, ignorada por vezes e com demasiada atenção outras vezes.

 

Simplesmente, ignorarei esse vento ininterrupto, acomodando-me num canto qualquer sujo, debaixo dessa ponte onde existem muitas pessoas, mas nenhuma consegue ver os outros, onde, afinal, estamos todos juntos, mas irremediavelmente sozinhos.

 

 

 

 

 

sinto-me: uups, too personal
música: Under the bridge - Red hot chili peppers

05
Set 08
publicado por Andi, às 15:02link do post | comentar

É engraçado como um momento por qual ansiámos há muito nos assusta profundamente quando se aproxima. Temos medo da mudança, de não nos adaptarmos, pelo menos eu tenho.

 

Numa selva descontrolada de betão, que arrasta avassaladoramente todos os seus constituintes, sufocantemente impessoal, sem saída a não ser uma estação de metro perdida no tempo, com as paredes riscadas com corrector que já vai a meio, pois já riscou metade das mesas da escola, com jornais de outros tempos, percorrendo rapidamente o chão sujo, alimentados por não sei que aragem... Uma cidade gigantesca espera por mim, ou não, apenas aguarda-me sem impaciência alguma para me deglutir dentro das suas fronteiras digestivas e lançar-me ácidos corrosivos até nada restar de mim nada, nem a minha memória, nem uma foto minha, por mais antiga que seja a mostrar-me morena de pele e sorridente, apagar por completo tudo o que me diz respeito.

 

 

Retrato negativista. Negro. Propositadamente constrangedor e ameaçador.

 

 

Se eu acredito nisso?! Não. Pura e simplesmente.

 

Admito, sou ingénua. Gosto de ver o lado bom das pessoas, tudo me parece fantástico, gosto de ver um miúdo a brincar e a divertir-se genuinamente, não pensando se ele eventualmente é cruel para as outras crianças, acho piada a uma pista de carrinhos de choque vazia, gosto de ir à praia apenas para me sentir livre, areia e mar apenas. 

 

Não sei se será fácil esta mudança, isso depois vê-se, mas é algo por o qual tenho esperado, por ser isso mesmo, uma mudança. 

 

É certo que serei just another girl in the town. Mas será isso mau?! Numa perspectiva geral, não acho.  Até acho piada ao mistério e ao desconhecido, pois a uma curiosidade inata faminta, e por vezes aborrecida o desconhecido apresenta-se como uma verdadeira iguaria. Às vezes interrogo-me se conseguirei atingir aquilo que quero, mas não é disso que falo, aliás do que falo?!

 

Isto parece um post cheio de raiva e rancor por uma fugitiva de um manicómio e destinado a um sacana convencido qualquer. E é mesmo. Portanto, lê sacana!

01.Carvel - John Frusciante (Shadows Collide With People - Acoustic)

 

 

 

 

When I try I force it out
Never looking in only out
Now is the time for a millions to lose
Never the same since I lost you
Running me out the town
Wishing the best around
Would only get off my back
Heaven receives you and throws you back

Sending a dummy to my God (x4)

Driving to eat a Carvel cake
Somewhere you know isn't where you think
Have you gone away
Have you gone, have you gone away already
(come back, come back, come back, come back)
Have you gone, have you gone away already
(come back, come back, come back, come back)
Have you gone, have you gone away already
(come back, come back, come back, come back)
Have you gone, have you gone away already

All the good times are on their way
Up and down that's how energy stays alive
Up and down that's how energy stays alive
And I wouldn't have it any other way

 

PS. Prometo que não faço mais posts rancorosos e psicopatas como este. Eu sei que já postei aqui a música, mas penso que já se esqueceram, continuarei a relembrar-vos!

 

PSS. Não acreditem em tudo o que digo...

sinto-me: maléfica e infantil xD
música: John Frusciante - Carvel

01
Jul 08
publicado por Andi, às 00:49link do post | comentar | ver comentários (7)
  1. Tenho 18 anos e compro sapatos ortopédicos.
  2. Fui ao médico e fartei-me de levar raspanetes por não tomar os medicamentos das alergias devidamente.
  3. Hoje de manhã acordei com os "mestres" a pintar a minha casa, a falar de futebol, da liga inglesa (?).

E mais um post desinteressante e deprimente para a conta!

sinto-me: happy:D

28
Jun 08
publicado por Andi, às 00:13link do post | comentar | ver comentários (10)

As pipocas deveriam surgir das ávores. Como por magia, por acaso... Não, por acaso não. Deveria ser propositado. Deveria ser natural e anti-natural, simultaneamente.Cresceriam no seu tempo certo. E apanhariam água até ficarem completamente  moles. E esperávamos que viesse o sol para que elas restabelecessem outra vez. E íamos apanhar quando tal acontecesse. Os miúdos traquinas e com os joelhos esfolados iriam de quintal em quintal roubar pipocas ate não poderem enfiar mais uma pipoca minúscula nas suas barrigas. Seria uma espécie de manta de neve que cobriria algumas regiões no Verão. 

 

Todos teriam uma. Nem que fosse na varanda do apartamento atarracado de velharias. E cada uma dela contaria a história dos seus donos, sobrevivendo enquanto eles o fizessem também. E deixávamos de comer pipocas apenas no cinema. Passaríamos a oferecer pipocas a alguém doente em vez dos sumos pastosos e de fruta esquisita cujo nome não conseguiríamos pronunciar correctamente. Nas escolas, os alunos passariam a comprar sandes com compota de pipoca, levemente adoçada.

 

As paisagens ficariam brancas puras, já que tudo o resto não o é. Não seriam conspurcadas, mas sim inocentes, oferecendo pequenos prazeres simples. Como, sentar calmamente a comer pipocas, aproveitando a companhia silenciosa de alguém. Ou falar das pipocas que nascem das árvores, como são magnificas.

 

O mundo seria tão melhor com pipocas a crescer nas árvores, não seria?!

 

(Foto retirada daqui)

sinto-me: maluca xD
música: Speed of sound

23
Jun 08
publicado por Andi, às 22:24link do post | comentar | ver comentários (1)

E pronto, cá está o ilhéu a "arrebentar" de gente. As Sanjoaninas, as tão aclamadas festas de Angra do Heroísmo, já começaram na sexta-feira passada. Autênticas multidões tentam estacionar as suas cadeiras de plástico nas ruas, para poderem assistir comodamente aos desfiles. Deve haver uma parte histórica bastante fascinante relacionada com o começo destas festas, mas, sinceramente, eu não conheço. Um dia destes mato o resto dos neurónios à procura disso. Hoje não.

 

Hoje é o dia das marchas. Cores. Música. Dança. Um espectáculo inebriante, que eu talvez vislumbre fragmentos ao passar pela sala onde tem a televisão sintonizada na RTP Açores.  Devia ir ver, é tradição. Mas não me sabe ao mesmo.

sinto-me: misto de cenas

21
Mai 08
publicado por Andi, às 19:33link do post | comentar

Compras! Whatelse? Para além da treta de andar a perguntar por aquilo que queremos, e de não encontras alguém, ou ser constantemente assaltado pelas empregadas a interrogam-nos se queremos algo, ou também da claustrofobia que provoca estar numa loja repleta de pessoas histéricas e àvidas por comprar uns trapinhos, uma coisa que realmente me incomoda nas lojas de roupa é a música excessivamente alta, deprimente e que chega a ser alucinogénea. Tenho dito.

sinto-me: cansadiiiiiiiiissima
música: none, please!

11
Mai 08
publicado por Andi, às 15:10link do post | comentar | ver comentários (2)

1 de Novembro de 1901

 

 

Estava ajoelhado no banco de madeira dura e gasta da igreja havia já cinco minutos.  As mãos postas, os olhos fechados, a cabeça baixa, tudo levaria a crer que aquele pequeno rapaz estaria profundamente embrenhado no sofrimento de Jesus, que representava o sangue e a carne, o vinho e o pão. Contudo, ele estava com os olhos fechados, mas nada via, em nada pensava, apenas conseguia sentir os joelhos descobertos, devido aos calções curtos que usava, surrando na madeira que tinha algumas falhas e que o magoavam.

 

 

Finalmente o padre ordenou que se levantassem.

 

A missa prosseguiu e o Chiquinho, como lhe chamavam, estava já afogueado na roupa apertada, que tinha pertencido a um dos seus cinco irmãos, que já tinha morrido, de uma febre muito alta. Nunca o chegou a conhecer, era o mais novo de sete filhos, seis rapazes e apenas uma rapariga. Os seus pais, já de alguma idade, não haviam contado com a vinda dele, mesmo logo após a morte do seu irmão, a mãe apercebeu-se que estava grávida, mas nada lhe tirava o travo amargo que a perda daquele filho lhe causava, mesmo vindo outro a caminho, assim, foi com alguma indiferença que ela teve Chiquinho.

 

Apesar de tudo, Chiquinho era um rapaz contente e espevitado que passava os dias nos cerrados verdejantes a apanhar bichos e a rolar na erva, a apanhar erva azeda, ou mesmo atrás das cabras fartas do pai, que mal podiam correr, pelo excesso de peso, e pelo facto de terem as patas da frente atadas às de trás, o que lhes prendiam os movimentos. Chiquinho achava isto mal, mas não conseguia exprimir por palavras porquê, simplesmente quando se imaginava como sendo a cabra sentia-se preso e isso provocava-lhe uma sensação de mal-estar.

 

"... e o Senhor vos acompanhe."

"Graças a Deus."

 

Finalmente a missa terminou. Saiu da igreja robusta e forte, como uma anciã centenária com cabelos grisalhos mas ainda com forças para cavar no quintal se o dinheiro escasseasse e as colheitas fossem más, às vezes conseguia personificar a igreja, e imaginava-a como essa anciã, que em nova fora mulher bonita e viçosa e que amamentou todos os seus filhos sem deixar escapar um lamurio que seja.

 

Já cá fora, o vento despenteava o cabelo que a sua irmã que tinha vinte anos, mais velha que ele dezasseis anos, havia tentado domesticar, digamos assim. Era frio, o vento, e húmido, e cercava as pessoas que se encolhiam e tentavam resguardar-se, apertando contra si mesmas a roupa domingueira.

 

Corria pelo caminho que ficava a norte da igreja, ajudado pelo vento a subir, fazia-lhe cócegas a aragem do vento nas pernas descobertas pelos calções. Mas alguém gritava por ele:

 

"Chiquinho!"

 

Virou-se para trás e pôde ver a irmã com o cabelo castanho encaracolado ao vento, o vestido pesado, grosso, cinzento até aos tornozelos, tapando-lhe o corpo gracioso e elegante, mas mesmo assim não lhe ofuscava a beleza dos seus olhos castanhos de chocolate, doces igualmente, tinha as mãos em concha para que ele a pudesse ouvir, sobrepondo a sua voz aos sussurros demasiado altos do vento.

 

"Ainda não vamos para casa! Vamos passar em casa do Senhor Fonseca, que teve mais um filho."

 

Voltou para o arraial, a correr, como sempre. E lá desceu o caminho do cruzeiro para ir a casa do Senhor Fonseca, dos mais abastados da freguesia. Bem, não se lhe pode chamar abastado, porque na realidade eram todos bastante pobres, mas o Senhor Fonseca possuía uma casa grande, comparando com as outras e tinha algum gado.Já lá havia estado a brincar com o Manuel, um dos filhos dele, que era um pouco mais velho que ele, tinha sete anos. 

 

A casa encontrava-se repleta de pessoas que haviam saído da missa e que eram familiares, amigos ou conhecidos dos Fonseca. Encontrou pessoas que conhecia como Vanessa, a prima mais nova da Sra. Maria da Conceição, as duas parteiras Lucinda e Guadalupe, que já se haviam limpo e que estavam ali prontas a ajudar no que fosse necessário.

 

A irmã encaminhou-o para o quarto principal, onde estava Maria da Conceição, e a seu lado estava um berço tosco feito de madeira. Aproximou-se devagar do berço, e quando lhe incitaram a olhar, e ele assim o fez, apenas viu um bébé minúsculo, careca e com os olhos inchados, aliás nem se viam olhos nenhuns, não sabia se havia olhos por detrás daquelas protuberâncias. Os dedos eram igualmente pequenos. Nunca vira um bébé assim, tão perto e tão pequeno, achou-o feio, e aborrecido, não havia nada de especial ali. Todos se encontravam a olhar para ele babados enquanto ele segurava a mãozinha frágil do bébé, nem percebia se era rapaz ou rapariga. E perguntou-se a si mesmo, é só isto? Realmente não percebeu a razão de toda aquela excitação. Viu o Manuel a passar e correu atrás dele para ir brincar para o quintal.

sinto-me: anti-social
música: Come as you are - Corvos

06
Mai 08
publicado por Andi, às 23:40link do post | comentar | ver comentários (2)

quando me sinto sozinha e isso dói. Literalmente. Sinto como se estivesse a usar um espartilho, que nada mais é do que símbolo da opressão feminina e subjugação perante o mito da perfeição e da beleza, e isso sufoca-me um pouco. A libertação desta tirania é a cura para a minha (aparente) falta de ar.

sinto-me: ...

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