Does it make any sense?! No? So, welcome.
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Nov 07
publicado por Andi, às 23:00link do post | comentar

Estava sentada num das cadeiras escuras e desconfortáveis da cozinha. Comia vagarosamente o seu pequeno-almoço, cereais com leite. A cozinha à sua volta, branca, exceptuando as cadeiras, era incrivelmente escura... Inóspita. Era o costume. O costume de todos os dias serem iguais, de haver sempre a mesma rotina, as mesmas caras à hora exacta, as mesmas tarefas repetidas indefinidamente, o costume. Era o costume que a tornava tão amarga, muito pouco receptiva e escura, apesar da sua aparente brancura. Como Arminda, conclui Fantasia esse seu pensamento.

 

Pela janela havia uma ponta de luz ténue e baça que atravessava a cortina alva rendilhada e que iluminava fracamente a cozinha. Estava bastante escuro na rua, apesar de ser sete da manhã. O Verão já se havera ido embora, e nem se havia despedido dela... Queria sair à rua, essa era a razão pela qual tinha acordado mais cedo que todos, queria correr atrás do Verão pedir que ficasse, com o Outono e o Inverno, porque não poderiam ficar todos? Porquê cingir-se à monotonia de cada um, auto-impor a solidão, porquê o abandono, a solidão, o isolamento?Mas a escuridão fazia-a reprimir esse seu desejo de sair dali, fazia-a demorar a comer o pequeno-almoço.

 

Remexeu a colher por entre os cereais ensopados, nada daquilo lhe estava a saber bem... Mas tentou não pensar muito nisso, não tinha mais que comer. Repentinamente surge um pensamento na mente de Fantasia vindo do nada, nem sabe como o foi buscar, mas a verdade é que se interrogou como o seu búzio havia parado às mãos de José.... Será que? Não! José jamais poderia ter uma relação com um gatuno, como ela designava Pedro. O seu único amigo para além do mar era amigo, era cúmplice do ladrão do seu maior tesouro. Ainda que o tivesse devolvido, era sinal que Pedro o havia dado, ou será que José o havia tirado a ele? Era isso, José ao reconhecer o grande búzio que lhe havia dado com certeza reprimiu o rapaz e tirou-o. Restava-lhe agora saber em que circunstâncias isso tinha acontecido... Isso causava-lhe uma enorme curiosidade, pelo que decidiu apressar-se a comer, pois embora fosse Domingo e a irritante campainha só tocasse às nove, não se podia dar ao luxo de ser apanhada. 

 

Já com a taça nas mãos delicadas, e no entanto fortes, Fantasia dirigia-se para a bancada da cozinha. Mas sente-se observada, há alguém na cozinha... Vira-se e vê Alfredo.

sinto-me: useless
música: Home - Foo fighters

Gostei bastante deste post, porque me parece que vêm ai inúmeras revelações:P
"queria correr atrás do Verão pedir que ficasse, com o Outono e o Inverno, porque não poderiam ficar todos? Porquê cingir-se à monotonia de cada um, auto-impor a solidão, porquê o abandono, a solidão, o isolamento?" Gostei também desta filosofia lol
vá, fica bem =)
3 dots (...) a 1 de Dezembro de 2007 às 00:49

Revelações?? I wish. Acho que cheguei a uma parte em que o que decidir vai mudar o resto da história...

Não é uma filosofia... É apenas um pensamento solto, perdido e que se encontrou,nada mais.
:P
Andi a 1 de Dezembro de 2007 às 16:55

E agora???
Vá lá, agora vai acontecer alguma coisa de grande e eu quero saber!
Não demores.
Belíssimo este texto.
Beijinho
meldevespas a 4 de Dezembro de 2007 às 11:22

Nem tenho tido tempo para continuar fantasia, tenho tido bastante trabalho, e necessito de bastante tempo para continuar decentemente a história. Desculpem.
Beijinhos.
Andi a 9 de Dezembro de 2007 às 17:47

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