Does it make any sense?! No? So, welcome.
30
Ago 07
publicado por Andi, às 01:15link do post | comentar | ver comentários (13)

É verdade, o meu blog imaturo e recém-criado faz hoje um mês. Não é muito, mas já considero alguma coisa. A ideia de escrever algo num blog, surgiu-me do nada, mero fruto da irracionalidade constante e constatada por vós, leitores, assíduos (?!) ou não.

 

Então, após 20 posts, após ter recebido 88 comentários e pouco mais de 1200 visitas o que mudou, o que há a dizer?

Não mudou nada! Simplesmente continuo com o desejo de escrever, e seguirei essa conrrente que me instiga a escrever uma enxurrada de palavras que nem sempre têm sentido à primeira vista, mas para mim, têm. Irracionalmente correctas.

 

Neste post gostava de saber a opinião SINCERA daqueles que lêm o meu blog, que não se preocupem com o que eu vou pensar, com o que os outros vão pensar. Eu não faço isso, porque irão fazer isso então? Aqui fica um apelo a que sejam irracionais, e dizerem tudo o que vos apetecer.

 

Fiquem irracionais.

Andi.

 

 

sinto-me: em festa ;)

29
Ago 07
publicado por Andi, às 16:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Ultimamente tenho-me apercebido, que a minha relação com certos animais não é a melhor. Não me interpretem mal, gosto de animais e detesto vê-los maltratados, mas há um ou outro que me tiram do sério.... Os gatos, por exemplo. Irritam-me quando miam de uma forma desesperada e incessante, passo-me quando me acordam de noite com aqueles barulhos esquisitos e brigas entre eles, arrepiam-me ao se aninharem em mim e como se não bastasse arranham-me quando me vêm (talvez percebam a  minha antipatia...). Não tenho nem tenciono ter gatos, mas, aparentemente, os meus vizinhos têm gatos que bastam para eles e para mim...

 

Há quem adore gatos, e os tenha às resmas, como esta senhora. Compreendo que há quem mesmo ache piada e uma boa companhia, mas eu definitivamente não.

 

 

Ontem achei uma notícia bastante interessante e que dizia que os cães podem ter um papel decisivo para encontrar cancro. Supostamente eles conseguem "cheirá-lo", e são bastante certeiros e precisos. Pelo sim, pelo não, acho que é melhor ter um cão do que um gato. Mas esta é só mais uma razão... Aqui pode encontrar uma notícia e respeito desse assunto.Este post pode suscitar muitas críticas negativas, mas apeteceu-me dar um ar um pouco mais pessoal (não muito) ao meu blog, e falar de algo que me desse na veneta, aliás, como sempre.

 

sinto-me: um pouco anti-gatos...

27
Ago 07
publicado por Andi, às 16:30link do post | comentar | ver comentários (4)

Aqui está um "pequeno" vídeo com fotos premiadas.

Podem até não o ver, não interessa... Decidi divulgá-lo porque gosto de fotografia, porque acho que estas estão mesmo muito boas (ou não fossem premiadas...), e porque não consigo ficar indiferente perante elas.....
sinto-me: sensiblizada

26
Ago 07
publicado por Andi, às 00:37link do post | comentar | ver comentários (6)

O dia acabou por chegar ao fim, inexoravelmente. Terminou da mesma forma o trabalho, e o agradável passeio de Fantasia.

De volta a terra, Fantasia despediu-se e não prometeu voltar, pois não acreditava em promessas, até porque nem ela nunca fizera uma, nem lhe haviam feito alguma. Não se relacionava com as pessoas, tentava fugir delas, abstrair-se, não ouvir as suas vozes secas, monótonas, hipócritas e falsas.

Mas José conseguira alguma simpatia da parte dela, invés da apatia normal e rotineira que nutria pelas pessoas. Subitamente surgiu uma questão inevitável na sua mente "Para onde iria?". Por muito que José tenha sido compreensivo e simpático, não se iludia, sabia que ele não tinha como alojá-la, que tinha família para sustentar, via isso no seu olhar cansado, mas ao mesmo tempo prazeroso, do ofício da pesca. Ele também parara, pensativo no futuro que teria aquela rapariga doce e calada, queria poder fazer algo para poder ajudá-la. Mas que poderia ele fazer? Um simples pescador,sem estudos, sem lugar onde acolhê-la, sem recursos...

Decidiu então levá-la para a Instituição, sabia que ela vivia lá. Nunca a tinha visto na aldeia, e alguém tão especial como ela não devia passar desapercebida, se bem que, regularmente, pelas razões erradas. Mas, paciência, nem tudo é como desejámos, penou ele. Fantasia compreendeu as razões dele, e não pode deixar que ele não tinha outra opção...

Mas custava-lhe tanto voltar outra vez àquele suplício diário e inimterrupto que era a sua vida, ou a falta dela na Instituição. Arminda, solidão, prisão, todos aqueles que habitavam a Instituição e a olhavam com desprezo e arrogância, o próprio edifício que a asfixiava e não a deixava respirar...

Mas não tinha outra solução que não voltar para lá, por enquanto. Não suportava pensar que iria passar lá muito tempo. Iria arranjar uma forma de fuga, contudo não iria colocar o pobre pescador em apuros, não, a única pessoa que a tratou com gentileza, sabia ser simpática e retribuir a pessoas que fossem bondosas consigo.

Então, José apontou-lhe o caminho e Fantasia lá seguiu, cabisbaixa, mas simultaneamente e interiormente deliciada pelo dia que havia tido. Sabia o que a esperava, mas uma vez mais essa sensação de distanciamento a tudo o que a repugnava tornava-se evidente. Momentos como a viagem de barco, a companhia de José e outros mais que vivia perto do mar contribuiam para esse sentimento.

Quando olhou para trás, viu que, surpreendentemente, José estava no seu encalço e a levava à Instituição. Nada disseram. Seguiram o caminho sinuoso, de terra batida, e um tanto ou quanto estreito.

E finalmente chegaram ao portão da Instituição, velha e no entanto imponente. Fantasia avançou em direcção ao portão, e quando ia abri-lo, voltou-se para trás, e disse "Fantasia." para o pescador. Um aceno de cabeça como prova de aprovação em relação àquele agradecimento sincero. Entreolharam-se, os dois, e trocaram despedidas de amigos, com a esperança, e ao mesmo tempo, a certeza de que se encontrariam novamente. Ao contrário do que esperava, José não foi logo embora, tirou um búzio da algibeira gasta das calças simples e escuras. Sabia que ela ia gostar de algo que lhe lembrasse verdadeiramente o mar.

Pousou-lho na mão trémula e expectante, e fez-lhe sinal para o ouvido. Seguindo o conselho de José, ela levou o búzio ao ouvido e ouviu a voz do seu amigo, uma simples e doce melodia, ali dentro daquele objecto estranho,  fitou-o com curiosidade e deu-lhe várias voltas, mas acabou por guardá-lo no bolso, sunto do outro presente que havia recebido há poucos dias atrás, o seu objecto de metal estranho.

Retribui um sorriso sincero e rasgado ao pescador, e voltou-se para o jardim mal tratado da Instituição. E aí sim, se despediu de José.

Já podia ver Arminda, na porta, à espera.....

sinto-me: na expectativa...

24
Ago 07
publicado por Andi, às 02:15link do post | comentar | ver comentários (2)

Nunca falei sobre este tema que inspira muita gente a fazer todo o tipo de coisas desde arte a parvoíces. O amor... Tantas definições, tantos clichés, tantas frases feitas, tanto dito acerca de algo que é mutável, modifica-se com as pessoas, com a idade, com os lugares, até com o tempo... Não desejo dizer o que é, não aspiro ao impossível, é demasiado irracional e relativo para ser verbalizado.

 

*

 

 

"Amo-te muito", "Amo-te para sempre".... Ele já lhe havera dito aquelas frases milhentas vezes, repetidamente, sem nexo, fora do contexto, e pensou que estava a fazê-la feliz, que ela era a mulher mais feliz do mundo!! Como ele era ingénuo, mundano e fútil, nada do que dizia era verdadeiro. Ela sabi-o. Detestava que ele lhe dissesse aquelas banalidades, sem sentido, tão superficias, fingidas e ensaiadas... Tão racionais!! Sabia também que ele nunca pensava nisso, não a amava, apenas a desejava fisicamente, e achava que isso era tudo. Vivia rodeado por lendas e mitos urbanos acerca do que é uma vida conjugal, e do que era o amor. Os seus olhos eram vazios e sem sentimento, quando se declarava nunca a olhava nos olhos, não aguentava o seu olhar de Amazona altiva e intocável.

 

Ela nunca o dissera, nunca havera verbalizado o amor por ele, porque ele simplesmente não existia, e até porque achava as formas de exprimir dele patéticas! "Amo-te muito"?!? Muito?

Amar não seria suficiente? Como se pode amar pouco? "Para sempre"... Que utopia, que estupidez!!! Tal como não há futuro, tão pouco pode haver "para sempre", tudo é finito, tudo acaba por ter um fim, por mais que tenha durado, mas que importava isso? Era apenas mais uma das mentiras e dissimulações dele. Aprendera a viver com aquilo, já nem se importava, alheava-se completamente dele, nem o sentia a tocar-lhe... Nada. Alheava-se nos seus pensamentos e no seu mundo, só seu, onde não haviam eles e não haviam racionalidades.

E aí ficava bem, tranquila e serena.

 

 

*

 

 

 

Isto foi apenas uma história fictícia, uma fracção da minha perspectiva pessoal do que é esse gigante que dizem ser a razão de tudo, bem algumas pessoas o dizem, não digo que não nem que sim. Que importa o que digo? Apenas tenho a certeza, pessoal também, que o amor é irracional, em que aspectos ou em que medida não sei precisar, mas para mim é este o meu mundo.... O irracional.

música: Comptine d'une autre été- l'aprés midi - Yann Tiersen
sinto-me: demasiado pensativa...

23
Ago 07
publicado por Andi, às 16:14link do post | comentar | ver comentários (4)

Encontrei este vídeo há dias e não podia deixar de pô-lo aqui. Achei muito bom. Para quem gosta (como eu), e mesmo para quem não gosta, aqui fica o talento desta miúda.
sinto-me:

20
Ago 07
publicado por Andi, às 00:44link do post | comentar | ver comentários (2)

Estranha. Esquisita. Irreconhecível. Confusa. Deslocada. Irracional... É assim que me sinto, ou pelo contrário, não me sinto, isto não sou eu. Ou serei?

Agora podia dizer qualquer coisa do género "O meu mundo está de pernas para o ar"... Seria apenas mais uma frase feita, algo impingido por não sei quem, os Outros talvez... Seria apenas mais uma referência neste sistema, indicando que tudo está normal de acordo com os padrões, um consolo de que os outros também já estiveram assim. Que eu vou ficar bem, que vou ser igual a todos os outros. Qualquer treta deste género. Mas pergunto-me, que raio de mundo é esse de que tanto falam?? É o local onde vivem? É o nosso planeta? É o "interior " das pessoas? Será o círculo de pessoas que se conhece?? É apenas mais uma pseudo-realidade que nos tentam passar? Para não nos passarmos todos em conjunto, não haver uma histeria em massa pelo ridiculo que nos rodeia? Se calhar até este post é apenas algo previsto também, tanto como as frases feitas o são. Não por mim, escrevo o que me ocorre. Mas pelo sistema, a tal carcaça velha que nos arrasta com ela.

 

 

Mas deixando de divagar, ou continuando essa enorme divagação que é este blog, pedaços da minha (ir)racionalidade, não me é possivel delimitar e definir os meus pensamentos ou os meus sentimentos em algo dizível.

 

 

Contudo, existem resquícios, fragmentos distintos e constantes nos meus pensamentos. Como uma fórmula matemática, repetem-se, indiscriminadamente, sem piedade de mim, sem consciência que não são racionais, que só são minha imaginação (ou será muito mais que isso?). Ganham vida, tomam conta de mim, da minha vontade, e eu deixo, e eu coopero...  Sinto que não estou a fazer o correcto, que no futuro poderá haver problemas e que me arrependerei disso, mas que me importa o futuro? Eu nunca vou presenciar o futuro, o futuro nunca chega, é sempre adiado. É apenas mais uma ilusão, que nos tenta acalmar e traçar um objectivo, um rumo.

 

Estarei a sofrer uma espécie de metamorfose? Estarei a transformar-me numa espécie de louca aos olhos do que se intitula tão nobremente a "nossa sociedade"? Demasiado autista, demasiado opaca para alguns e, contudo, transparente para outros?

Demasiadas perguntas que me ocorrem, que me trespassam, não quero saber de nenhuma, nem das possiveis respostas.  Não é disso que trata a minha irracionalidade...

música: Diary of Jane - Breaking Benjamin
sinto-me: confusa

13
Ago 07
publicado por Andi, às 23:43link do post | comentar

Algo em mim quebrou, preciso de descansar, de fugir, de me libertar... Preciso de férias da minha vida e da minha rotina.

 

Vou estar uns diazinhos sem escrever, pois antevenho que os próximos dias sejam bastante ocupados.  Encontrar-me -ei com Fantasia, e talvez tenha algo mais para contar sobre ela para a semana...

 

Fiquem irracionais.

 

PS. Este post é simplesmente fictício, na medida em que dedico aos meus assíduos leitores, que praticamente não existem, salvo raras excepções.

sinto-me: cansada

12
Ago 07
publicado por Andi, às 14:44link do post | comentar | ver comentários (2)

Seriam aproximadamente 7 horas da madrugada, não sabia bem, estava desorientada, não conseguia orientar-se nem situar-se no tempo nem no espaço.

Correu um bom bocado, antes de chegar ao porto onde se encontravam pequenos barcos de pesca, saloios, rústicos, simples e humildes como os seus propietários.

Havia um pescador a preparar-se para partir para a labuta matinal, árdua, mas prazerosa, quando reparou nela, alta, com um ar traquinas e maroto, infantil, mas ao mesmo tempo havia uma réstia de mulher adulta e experenciada que deixava antever que ela era muito mais madura e vivida do que parecia. Pela sua roupa e pelo seu aspecto ensanguentado, o pescador presumiu que ela fosse da Instituição que ficava a alguns quilómetros da praia. Sim, só podia ser.

Fantasia, com os sentidos em sobressalto, tentando ver, ouvir, ou sentir a menor presença de pessoas ou de perigo, apercebeu-se que alguém a mirava com olhar curioso e incrédulo, sentia-se vigiada, mas não num aspecto maldoso ou pernicioso. Era um olhar de interrogação, de curiosidade, de quase compreensão pelo estado em que ela se encontrava. Então, contra tudo o que ela sentia e detestava nas pessoas decidiu aproximar-se do dito pescador, um pouco nervosa e pouco descontraida, mas a fome que sentia era maior, apertava-a, não a deixava pensar claramente, sentia a boca seca, o corpo torpe e fraco.

O pescador de seu nome, José, era um homem simples, de pouca cultura, de poucos estudos, nem sabia escrever o seu nome, mas percebia algo que nem os mais distintos doutorados percebem, uma linguagem escondida no olhar, nos gestos, uma espécie de código secreto que as pessoas têm... Pegou na sua sacola puída pelo tempo e pelo uso e tirou metade do seu almoço, e, imediatamente, estendeu-o no seu barco. Quando Fantasia se aproximou dele, ele não disse nada, apenas fez um gesto para o barco, ela percebeu pelos seus olhos, pelos seu modo de estar e de agir, que ele era uma pessoa inofensiva e pacífica, que apenas pretendia ajudar.

Saltou então para dentro do barco, cuidadosa, mas ainda com vigor, pois apesar de tudo era jovem e forte. Começou a comer ferozmente, tal era a fome que tinha. Quando acabou de comer, já refeita e saciada, e sentindo-se mais segura, é que reparou que o pesacdor não se tinha limitado a dar-lhe de comer, tinha-a levado no seu barco para a pesca também! De súbito, sentiu uma onda de pânico percorrer-lhe o corpo cansado, mas alerta, ficou com calor, e começou a respirar pesadamente. Nunca tinha andado de barco, nem tão pouco estado tão perto de tanto mar! Fechou os olhos e tentou não sentir as ondulações que se esbatiam contra o barco, que pareciam querer tragá-lo só de uma vez. José sentiu o seu medo, e parou de remar para que Fantasia não se assustasse mais, e esperou, esperou que ela tomasse coragem e abrisse os olhos, que reparasse na forma como o mar lhes dava as boas-vindas, este reflectia a luz ainda ténue do sol, e estava calmo...

Agarrou o seu búzio, o seu presente, que apesar de ser de metal, ela considerou ser uma espécie de búzios muito rara e especial, e abriu os olhos, lentamente. Sabia que o mar era seu amigo, mas não deixava de ter medo da sua imensidão, do seu poder e força. O que viu, fê-la esquecer o medo que sentira, a dor, o medo da ser prisioneira, fê-la esquecer que havia Instituição, de que Arminda estaria fula, nada... Não havia nada mais, apenas ela e o mar, e o céu límpido e claro, com o sol a despontar, o mar adquiria uma tonalidade esverdeada e permitia-lhe observar os animais que nele habitavam... Estava maravilhada, nunca pensou que o mar não tivesse fim, e olhou para trás e viu a costa, a praia, as casas, muito distantes, diminutas, insignificantes, sentiu-se dona de si, imponente, ela mesma! Pela primeira vez em algumas semanas falou espontaneamente, e disse apenas "Fantasia!"...

O pescador sorriu levemente de satisfação, já começava a gostar dela, da rapariga misteriosa, que parecia gostar de viver, de apreciar as coisas simples da vida, e decidiu continuar a remar. A rapariga abriu os olhos perante tal espectáculo; luxuriante, inebriante e excitante era aquele sentimento, que não conseguiu definir. Mas não se importou de deifinir, seja o que for, não sentia essa necessidade...O barco, apesar de pequeno, era conduzido velozmente pelas mãos experientes de José. Dividia o mar em dois, cortava as ondas em dois, parecia uma corrida entre o barco e o mar. Pôs a mão na água e sentiu. Sentiu o mar, veloz, fugidio, suave, e inatingível. Gostava daquela sensação, estava de mãos dadas com o mar, e eram amigos. Brincou com ele, acariciou-o e disse-lhe os seus desejos e segredos.

Continuou naquela brincadeira, naquele jogo de conhecimento mútuo, o resto do dia, enquanto José trabalhava, e sentiu-se bem, sentiu algo parecido com felicidade, mas muito para além disso. Sentiu-se livre...
música: Nothing in my way - Keane
sinto-me: fantasia...

11
Ago 07
publicado por Andi, às 02:49link do post | comentar | ver comentários (4)

Quando chedou a casa, exausta, mas contente, até se poderia dizer feliz!, deparou-se com a Arminda, a responsável pelos que viviam na Instituição. Os olhos de ambas encontraram-se, avaliando primitivamente os desejos e receios de cada uma, Arminda compreendeu que Fantasia estava radiante, como nunca antes tinha visto, e Fantasia, por sua vez, apercebeu-se que Arminda estava determinada em arrancar-lhe esse prazer, queria que ela Lhe obedecesse, e não fosse rebelde, que simplesmente fosse como todos os outros e não lhe causasse transtornos... Ambiguamente, sabia também, subconscientemente, que por mais que fizesse e tentasse não o conseguiria!

 

 

Arminda, carrancuda e amarga, nem tentou falar com Fantasia, pois não havia linguagem mais explícita do que a da linguagem do olhar... Com uma roupa cinzenta, desgastada, parecendo também Arminda cinzenta e desgastada, mostrou a Fantasia aquilo que ela já esperava e que todos na casa temiam, a velha bengala da fundadora da Instituição. Já deveria ter mais de meio século, mas continuava, como a Instituição, inquebrável, teimosa em fazer-se vingar, maliciosamente persistente, atormentando todos!

 

Fantasia, ciente do que lhe esperava nem se mexeu, nem tão pouco mostrou algum indício de medo, ou de arrependimento, porque na verdade não sentia nada disso! Sentiu o primeiro impacto com mais intensidade, mas agarrou instintivamente o pedaço de metal que encontrara na praia, o seu presente. Nos seguintes minutos pouco ou nada sentiu, não proferiu uma única palavra, nem mexeu um músculo. Também ela se mostrava impenetrável, impertubável e insensível ao que se passava naquele momento, tal como Arminda.

 

 

A velha decidiu parar, o que já sabia interiormente tornou-se súbitamente claro, não conseguiria "quebrar" Fantasia com aquele método. Fantasia não temia a dor física, temia sim outro tipo de dores. Foi então que teve uma ideia que lhe pareceu genial, infalível - fecharia Fantasia num quarto de onde não poderia ver o mar! Como tinha sido estúpida ao não ter pensado nisso antes!!!

 

*

 

 

Escuro, húmido, vazio, estranho.... Era assim que Fantasia sentia que era a divisão onde se encontrava. Já tinha perdido um pouco aquela sensação inebriante, entusiasta, estonteante que sentira, após ter deixado a praia. O escuro, o medo de não poder sair dali, de ser prisioneira sugava-lhe a amálgama de sentimentos efusivos que anteriormente sentira. O único sítio por onde escoava um fio fino, quase imperceptível de luz, era uma pequena janela no lado sul do quarto, e que apenas dava para vislumbrar os canteiros maltratados da casa. Quase entrou em pânico, pois a janela era bastante pequena, e para além do mais estava trancada, pelo exterior... Tentou parti-la com os punhos fechados, mas o vidro era bastante resistente, tinha que arranjar um objecto duro! Desesperada por sair dali, por respirar, por se sentir livre, pensou no mar... Como seri bom ser como o mar! Liberto, sem ter para onde ir, sentir o vento enquanto viaja, sem pressões, a vaguear conforme quisesse.... Nesse momento lembrou-se do seu magnífico presente, e de como ele lhe poderia ser útil naquela situação. Imediatamente, arremessou o dito presente contra a janela, e conseguiu fazer um orifício pequeno, mas suficiente para a sua mão. Rasgou um pouco da sua saia verde, de tecido grosseiro e já um pouco velha e tentou embrulhar a mão no pano, para evitar magoar-se, e meticulosamente, abriu o fecho, e, seguidamente a janela.

 

 

Manchada de sangue, pois magoou-se ao passar pela janela, e nos estilhaços de vidros; suja, esguedelhada, com o pedaço de metal na mão e com um olhar triunfante, poderia parecer uma louca. Estava delirante! Correu, sem pensar na Arminda, nas consequências que teriam a sua fuga, sem pensar em NADA!

sinto-me: liberta

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