Does it make any sense?! No? So, welcome.
28
Jun 08
publicado por Andi, às 00:13link do post | comentar | ver comentários (10)

As pipocas deveriam surgir das ávores. Como por magia, por acaso... Não, por acaso não. Deveria ser propositado. Deveria ser natural e anti-natural, simultaneamente.Cresceriam no seu tempo certo. E apanhariam água até ficarem completamente  moles. E esperávamos que viesse o sol para que elas restabelecessem outra vez. E íamos apanhar quando tal acontecesse. Os miúdos traquinas e com os joelhos esfolados iriam de quintal em quintal roubar pipocas ate não poderem enfiar mais uma pipoca minúscula nas suas barrigas. Seria uma espécie de manta de neve que cobriria algumas regiões no Verão. 

 

Todos teriam uma. Nem que fosse na varanda do apartamento atarracado de velharias. E cada uma dela contaria a história dos seus donos, sobrevivendo enquanto eles o fizessem também. E deixávamos de comer pipocas apenas no cinema. Passaríamos a oferecer pipocas a alguém doente em vez dos sumos pastosos e de fruta esquisita cujo nome não conseguiríamos pronunciar correctamente. Nas escolas, os alunos passariam a comprar sandes com compota de pipoca, levemente adoçada.

 

As paisagens ficariam brancas puras, já que tudo o resto não o é. Não seriam conspurcadas, mas sim inocentes, oferecendo pequenos prazeres simples. Como, sentar calmamente a comer pipocas, aproveitando a companhia silenciosa de alguém. Ou falar das pipocas que nascem das árvores, como são magnificas.

 

O mundo seria tão melhor com pipocas a crescer nas árvores, não seria?!

 

(Foto retirada daqui)

música: Speed of sound
sinto-me: maluca xD

26
Jun 08
publicado por Andi, às 15:24link do post | comentar

Existem certos acontecimentos que me deixam invejosa, e que me levam a achar a insularidade destes calhaus muito indesejável. Este é um deles. O congresso feminista que está a decorrer desde hoje até ao dia 28. O feminismo foi sempre uma causa que me despertou interesse. Sempre caracterizadas como o "sexo fraco", ou donas de casa, e como seres obedientes, submissos e isentos de pensamentos lógicos, algumas mulheres durante o passado século tiveram um papel fundamental em mudar algumas mentalidades e atitudes tidas como sensatas. Posso destacar aqui a insular Natália Correia como exemplo de luta por esses direitos fundamentais. Desde o direito ao voto, ao trabalho, à igualdade de salários, até ao modo como era tratada pelo marido, e vista pela sociedade, muito tem mudado, felizmente, desde esses tempos. É impensável, e até repugnante, que a mulher tenha que pedir permissão ao marido, que tenha que ganhar menos que este, etc, situações normais no século passado, aquando o Estado Novo.

 

 

Existiam e ainda existem muitas outras situações actualmente em que os direitos das mulheres não são preservados. Isto falando no nosso país, pois eu nem quero chegar à zona oriental porque, provavelmente, não conseguirei escrever nada decente, tal é a minha indignação. Ontem na televisão, na RTP2, até deu um programa interessante sobre isso, o Câmara Clara, cujo tema era o feminismo e toda a evolução que teve e consequentes efeitos. (Nem vou comentar porque é na RTP2 e não na TVI, por exemplo, acho que as milhentas novelas que dão por dia não falam muito sobre o feminismo....)

 

 

Aqui fica um excerto do programa.

 

sinto-me: feminista

23
Jun 08
publicado por Andi, às 22:24link do post | comentar | ver comentários (1)

E pronto, cá está o ilhéu a "arrebentar" de gente. As Sanjoaninas, as tão aclamadas festas de Angra do Heroísmo, já começaram na sexta-feira passada. Autênticas multidões tentam estacionar as suas cadeiras de plástico nas ruas, para poderem assistir comodamente aos desfiles. Deve haver uma parte histórica bastante fascinante relacionada com o começo destas festas, mas, sinceramente, eu não conheço. Um dia destes mato o resto dos neurónios à procura disso. Hoje não.

 

Hoje é o dia das marchas. Cores. Música. Dança. Um espectáculo inebriante, que eu talvez vislumbre fragmentos ao passar pela sala onde tem a televisão sintonizada na RTP Açores.  Devia ir ver, é tradição. Mas não me sabe ao mesmo.

sinto-me: misto de cenas

21
Jun 08
publicado por Andi, às 17:55link do post | comentar | ver comentários (5)

O Verão começa hoje. Em miúda sempre associou o Verão a um fruto grande e maduro, e vermelho. Suculento e luzidio. Que daria uma sensação de prazer quase orgásmica ao comê-lo. Óbvio que não pensou nestes termos, mas o pensamento era o mesmo. Saía de casa com as suas saias com bolinhas laranjas e ia pelas ruelas acima e abaixo na sua bicicleta rosa choque. Os outros meninos também tinham bicicletas, e acompanhavam-na. Iam para o outro lado da vila, onde havia um pequeno lago e árvores verdes e frondosas, que davam uma sensação de frescura perante o calor agonizante de certas tardes de Verão. Cerejas, morangos, maçãs, peras, mirtilos, amoras, melancias, melões... Gostava de ir ao supermercado ver as frutas dispostas nas bancadas, e as várias pessoas a experimentarem-nas, a apertarem-nas, até elas libertarem a sua essência nutritiva. Parecia que apenas procuravam isso, sentir as frutas quase a desfazerem-se nas suas mãos ansiosas.

 

 

O Verão começa hoje. Que bom! Tinha que procurar as suas saias, e montar na sua bicicleta para ir até ao lago, ou até ao supermercado com os seus amigos, a Rosita e o José.

 

"Vou sair. Antes de anoitecer estou em casa."

 

"Onde vais?"

 

"Vou ter com a Rosita e o José, o Verão começou hoje!"

 

"Senhora Ana, estamos em pleno Inverno, e a Rosita e o José não estão aqui."

 

Aproximou-se. E com alguma força ajudou a senhora Ana a voltar ao quarto, e pensou que teria que avisar o médico, pois a situação estava a piorar. Estava a chover a potes, e se não fosse ela, a senhora Ana teria saído para a rua nem se apercebendo do autêntico vendaval que se aproximava e pensando que era Verão.

 

 

Verão, Giuseppe Arcimboldo, 1573

sinto-me: estranha...

15
Jun 08
publicado por Andi, às 16:45link do post | comentar

Depois de alguns dias quase enlouquecedores a tentar marrar para os exames, tenho de dedicar algum tempo a mim, nem que seja para manter a minha saúde mental, ou pelo menos, o que resta dela. Por isso don't stop me now!

 

 

 

 

 

 

Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive and the world it's turning inside out Yeah!
I'm floating around in ecstasy
So don't stop me now don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time

I'm a shooting star leaping through the skies
Like a tiger defying the laws of gravity
I'm a racing car passing by like Lady Godiva
I'm gonna go go go
There's no stopping me

I'm burning through the skies Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball don't stop me now
If you wanna have a good time just give me a call
Don't stop me now ('Cause I'm having a good time)
Don't stop me now (Yes I'm having a good time)
I don't want to stop at all

I'm a rocket ship on my way to Mars
On a collision course
I am a satellite I'm out of control
I am a sex machine ready to reload
Like an atom bomb about to
Oh oh oh oh oh explode

I'm burning through the skies Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic woman out of you

Don't stop me don't stop me don't stop me
Hey hey hey!
Don't stop me don't stop me
Ooh ooh ooh (I like it)
Don't stop me have a good time good time
Don't stop me don't stop me
Ooh ooh Alright
I'm burning through the skies Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball don't stop me now
If you wanna have a good time
Just give me a call
Don't stop me now ('Cause I'm having a good time)
Don't stop me now (Yes I'm having a good time)
I don't wanna stop at all

La la la la laaaa
La la la la
La la laa laa laa laaa
La la laa la la la la la laaa hey!!....
 
música: Queen - Don't stop me now
sinto-me: resting, or trying

13
Jun 08
publicado por Andi, às 13:48link do post | comentar | ver comentários (1)
música: Coldplay - trouble

12
Jun 08
publicado por Andi, às 00:04link do post | comentar | ver comentários (4)

Estava quase a conseguir. Os dedos, esguios, finos e alvos,já se moviam com desenvoltura sobre as teclas do piano pardacento, todos faziam mira ao piano preto e elegante e à música que dele brotava como se fosse uma fonte, e ela a fizesse nascer e renascer. Podia sentir todos os olhares, cravados na sua nuca, ou nas suas mãos, ou em si. Estava a ser invadida. Mas tinha de continuar, o mestre assim o aconselhara, a mãe assim o mandara, e o pai, nada dissera, mas o seu olhar severo e rígido foi o menos indulgente de todos, quase ditatorial aquela expressão. Engraçado, como a mãe não parava de palrar durante um segundo, sobre os modos a ter durante a actuação, que aquela seria a sua prova, que iria mostrar a todos que sabia tocar piano como ninguém, que até, porventura, algum rapaz de boas famílias a achasse digna de ser a sua esposa. Estava em jogo a sua vida, e o futuro. Era como se todo o destino da Humanidade dependesse da sua actuação no anfiteatro mais pomposo e rococó do país, que a enjoava profundamente com as suas florinhas a cobrirem tudo e todos, até podia ver no lugar das caras das pessoas essas flores sem graça nem cheiro.

 

 

Mas lá estava ela, a tocar a peça da sua autoria, simples, mas com toques inovadores, sublime e calma, como uma canção de embalar. Tal como era esperado duma dama da sua classe.O espartilho magoava-a quando se inclinava para poder tocar, apertava-a, esmagava-a. Como era estúpido aquele trapo que a limitava. Simultaneamente, enquanto estes pensamentos percorriam a sua mente velozes, ela ostentava um sorriso, ou pelo menos tentava, ao público, enquanto tocava.

 

 

Lá na plateia conseguia perscrutar os rostos àvidos do mestre e da mãe, e o sempre rosto sério do pai. Ainda não tinha chegado a meio, mas sentia um torpor a percorrer-lhe o corpo. Estava farta daquele lugar, daquelas pessoas sorrisos hipócritas, abanando ostensivamente leques enramados, com mais flores!, e passando a mão sapuda e gorda à frente da boca para bisbilhotar com o vizinho do lado.

 

 

Viu passar uma mulher nos bastidores. Era vulgar. Corpo trigueiro, cabelos negros como azeviche, roupa bastante simples e modesta composta por uma saia e uma blusa verdes, e nada de espartilhos. Levava uma cesta de maçãs vermelhas, luzídias e, aparentemente, deliciosas nos braços. Devia ser uma empregada de um senhor rico, velho, com a pele encarquilhada, que provavelmente teria de pagar uma boa soma de dinheiro para poder ter uma mulher ao seu lado na cama.  Que visão mais estranha, aquela mulher ali, a passar na parte lateral dos bastidores, onde só ela a podia ver.

 

 

Invejou-a. Por não usar espartilho, pelo seu corpo solto, e natural envolto nos tecidos verdes já um pouco gastos, pelo seu cabelo enorme negro, pelas maçãs que transportava, pelos pés confortavelmente calços numas sandálias castanhas.

 

 

Invejou-a. Ela que era bela, tinha a pele branca e alva, os cabelos castanhos da cor das folhas perenes de Outono, e os olhos da mesma cor. Ela que tocava num anfiteatro. Num dos mais importantes. Ela que sabia tocar piano, e a mulher, provavelmente, o seu melhor ofício seria fazer um belo queijo de vaca, pelo que ia tirar-lhe o leite pela manhã, quando as gotas de orvalho pendem nas plantas verdejantes. 

 

Invejou-a. E depois? Gostaria de não ter mais preocupação nenhuma que levar um cesto de maçãs escarlates nas mãos, e fazer queijos.

 

 

Aproximava-se uma parte crucial na peça, era a mais difícil. Errou uma nota, mas ninguém para além do seu mestre notou o pequeno deslize. Conseguiu ver a sua expressão aterrorizada e desaprovadora. Um misto de medo e repreensão bailava nos seus olhos, como que a ordenar-lhe que tocasse tudo bem.

 

 

 

Continuou a tocar bem, só que com mais intensidade. O olhar mantinha-se. E mais alguns se juntaram, as pessoas começaram a agitar-se pela demasiada importância que a música estava a ganhar. Afinal, estavam ali só para se divertir um pouco. As suas mãos percorriam freneticamente o teclado, obtendo notas ao acaso, e um horrível som, cada vez mais intenso. Sentiu que fazia música, como nunca antes o tinha feito. Soltou uma gargalhada descomunal, que ecoou por todo o anfiteatro, e ressaltou nas flores foleiras presas nas paredes, nos vestidos, até nos chapéus, em tudo.

 

 

Feito isto, levantou-se, fez uma vénia, e saiu. Antes deu uma mirada rápida pelo público, estavam todos pasmos, a boca aberta de indignação ou seria de espanto? Não interessava, tinha de sair dali. Queria encontrar a mulher. Queria saber como era ser ela. Mesmo que depois descobrisse que afinal a prostituta do velho impotente era ela, ou mesmo que nada passara de uma ilusão provocada pelo cérebro sem oxigénio, por estrangulação do espartilho. Iria tentá-lo. E foi.

 

A mãe e o mestre, em conjunto com todos ficaram consternados com tal saída. Foram procurá-la. O pai permaneceu impavidamente sentado.

 


E bem, já não escriva assim há uns diazitos.Tenho andado ocupada, a estudar... E fez-me bem esta  pausa, já não me dava tanto prazer escrever há algum tempo. Se o texto está diferente do normal, é resultado das mortes sucessivas dos meus neurónios.

música: Shiver - Coldplay
sinto-me: dont care

04
Jun 08
publicado por Andi, às 21:12link do post | comentar

Ser ilhéu tem destas coisas... Na minha rica purfeita escola existe um cartaz acerca de uns projectos de ciências durante as férias, para os alunos. Eu, parva e curiosa como sou, decidi ver o que aquilo era. Achei interessante até, até agora. Sinceramente, até parece gozo... Só existem desses projectos no continente e na Madeira. Açores? Nicles. Também somos só uns pacóvios que gostam de touros e de criar gado... Há com cada coisa, e depois ainda o raio do conselho executivo autoriza andarem a por cartazes desses, para quê? Ninguém nos vai pagar passagem para uma semana... Acéfalos! Devem achar muito giro o cartaz todo colorido e dinâmico, a dar aparência de uma escola moderna que faz tudo pelos alunos... E como esta situação existem muitas... Há dias em que isto me tira do sério...

 Eu até mostrava o cartaz odioso, mas não há a mínima pachorra de o ver de novo...

 

sinto-me: irritada

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