Does it make any sense?! No? So, welcome.
31
Out 08
publicado por Andi, às 23:28link do post | comentar | ver comentários (2)

Depois de algumas conjecturas acerca das tretas abstractas e irracionais, sobre as quais dispendo de tempo para reflectir e escrever, decidi fazer algo útil, e minimamente produtivo. Resultado: fui a um concerto dos Extreme, no Coliseu de Lisboa, concerto esse que faz parte da tour que eles estão a fazer agora, treze anos depois de terem acabado, que se intitulava Take us alive.

 

Que tenho a dizer? Partes boas: concerto muito bom, conheci novas músicas, abanei o capacete, e diverti-me um bom bocado. Escusado será dizer que também gostei do facto de ver o Nuno Bettencourt, meu conterrâneo a rular na guitarra. Juro que babei-me durante vários minutos! Outro ponto a acrescentar é a presença em palco do vocalista, que apesar de ter uma expressão corporal um pouco incomum, é fácil sentir-se contagiado.

 

Partes menos boas (porque não há partes más): Banda metaleira (mesmo!) a abrir o concerto. Nunca antes tinha visto um vampiro a tocar bateria, juro que o gajo parecia mesmo! O som não era dos melhores, fiquei um pouco desapontada por isso.

 

E pronto, mais um episódio muito interessante da minha vida, sem o qual as vossas vidas não seriam completas e felizes. Aproveitem-no.

 

Bem, não tenho vídeos do concerto, mas este aqui foi no Hard Rock Cafe, portanto, à falta de melhor, aqui vai:

 

 

 

 

Ps. Alguém me consegue explicar porque é que na entrada do Coliseu, verificam as nossas balas e se temos garrafas, retiram a rolha!? Nunca vou conseguir perceber certas cenas que se fazem.

sinto-me: extremista?
música: Extreme

27
Out 08
publicado por Andi, às 22:02link do post | comentar | ver comentários (2)

Acção e descrição. Movimento e inércia. Verbo e adjectivo. Principal e secundário.

 

Antagonismos. Definições, eu diria mais, invenções de mentes controladoras do pensamento geral, que nada mais é do que uma generalização de um pedaço de pensamento degenerado por milhões de anos. Irónico como tudo o que pensamos ser dinâmico e vivo nada mais é do que um vazio desolador.

 

O pessimismo invade-me as veias, as artérias, os capilares, invade-me os espaços intersticiais entre as células, percorre todo o meu corpo, percorrendo indefinidamente toda a anatomia, também ela isenta de sentido.

 

 

A acção é sobrevalorizada. O movimento destituído de valor e sentido aos meus olhos é tudo o que é necessário à vivência de todos nós. Porque não observar minuciosamente o movimento inerte das paisagens, dos momentos fugazes e intocáveis de cada fragmento de tempo? Porquê fixar-se na acção, quando a dizemos, ela passa a ser passado, e nunca futuro, porque o futuro não existe, e o presente apenas o é quando deixa de ser. Não dizem todas as pessoas que não podemos viver agarradas ao passado?

 

Mais uma vez, exaustivamente e inutilmente venho repetir-me até que a artrite me venha atacar de tal forma que nem consiga teclar, a irracionalidade é uma forma de ser, é o que nos define. Já começa a ser demasiado repetitivo estar a repetir esta palavra, até mesmo quando não fazemos sentido. Existe um limite para (quase) tudo.

 

O tempo esmaga-nos, oblitera-nos os sentidos, esvanece a nossa criatividade, pressiona-nos apenas a fazer o que é suposto fazer, o que está marcado, o tempo não nos dá tempo.

 

Por vezes penso que tenho ideias demasiado ingénuas, demasiado puras, simples, por isso tudo o resto me parece descabido. Ainda assim apreciarei uma paisagem, uma descrição sempre que me apetecer, desrespeitando o tempo e a lei da acção.

 

 

 


Little Cabin Infrared by *lil-nitelite on deviantART
sinto-me: hopeful

19
Out 08
publicado por Andi, às 17:19link do post | comentar | ver comentários (4)

À semelhança do ano passado também queria participar neste evento, ainda que um pouco atrasada, visto que o dia para desenvolver o tema deste ano foi o dia 15 (deste mês, não estou assim tão atrasada!). O tema do Blog Action Day deste ano foi a pobreza. Eu até poderia escrever algo relacionado com a pobreza material que, infelizmente, não é assim tão rara, mas hoje vi algo na televisão, que me impressionou bastante. Talvez dirão que sou estúpida, um acontecimento assim tão conhecido e antigo agora é que me afectar realmente. Não que eu não tivesse conhecimento dele antes, nem me tivesse afectado tudo o que aconteceu, porque eu sabia e afectou-me, como a toda a gente em geral. Mas não sei, achei que devia expor aqui esse lado da pobreza. O lado da pobreza humana, da pobreza de carácter e de ideias, pobreza de espírito, como se diz (pelo menos na minha terra).

 

Acho que foi se não o mais lamentável dos actos humanos, este lá perto. Aliás o meu dicionário é demasiado restrito para poder classificar algo assim. O holocausto. Não pretendo dar lições a ninguém, nem dizer o quão mau foi, pois afortunadamente não o pude presenciar. Mas indago-me acerca das "razões" feitas para cometer tal atrocidade. É óbvio que toda a gente sabe quais as razões que levaram a ordenar semelhante genocídio. Mas a minha dúvida é como que todos participaram nisso, como é que foram coniventes. Partilhavam do mesmo ponto de vista ou simplesmente se lhes mandarem matar todas as formigas do mundo com palitos de madeira, eles o farão?  É por isto, caros leitores que o meu blog se chama Irracional, não é por mais nada. Não estou a culpar as pessoas que participaram nisso. A culpa é algo universal, neste tipo de acontecimentos.

 

Eu sei, estou a falar de um acontecimento passado, de há 60 anos atrás.  Mas sessenta anos numa escala global nem é muito, e apesar de não se poder comparar o holocausto com algo que esteja a acontecer, pelo menos a nível tão imediato e perceptível para todos nós que temos um alcance de visão de 1 nanómetro, ainda que a ciência o desminta, ainda que pensemos que tal não é assim, ainda existem muitos outros pequenos e contínuos holocaustos a suceder. Ainda assim, é algo que me faz pensar, espero que a outros também.

 

Não quero deixar aqui uma mensagem de desalento, mas mais que uma participação no Blog Action Day, isto foi uma espécie de terapia pessoal. Enfim, vão ter que as aturar (ou não). Aqui fica uma música que, aparentemente, toda a gente gosta dela agora, e que me transmite uma sensação de harmonia, zen (como diria o Hélder). Parece-me também uma realidade antagónica à pobreza de espírito, portanto decidi pô-la aqui.

 

 

música: I'm Yours - Jason Mraz
sinto-me: thinker

18
Out 08
publicado por Andi, às 22:09link do post | comentar

O vizinho do apartamento da frente preparava-se para sair. Casaco castanho, calças pretas, camisola preta também, um guarda-chuva preto na mão, e um ar de cansaço estampado no seu rosto velho e enrugado. Barba por fazer de há uns dias. Cabelo desgrenhado. Estava mais débil do que há uns dias. Tinha de saber porquê. Ainda há cinco semanas e meia, às sete horas da noite, havia chegado uma ambulância a sua casa. Lembrava-se bem desse episódio. Piada dizer isto. Lembrar-se bem. Não havia nada que ele não quisesse lembrar e não o conseguir. Enfim, isto não se tratava dele. Tratava-se do vizinho da frente. António Morais, de nome, 57 anos, viúvo e vive apenas com um gato peludo e curioso, inclusive já tinha ido ao seu apartamento algumas vezes. Três, para ser preciso. Duas vezes no mês de Janeiro de há dois anos atrás e uma outra vez em Setembro do último ano. Não tinha nada contra animais, mas não estava habituado a ter companhia (pelo menos tão próxima), portanto esperava que o gato não voltasse ao seu apartamento tão rapidamente.

 

Voltando ao seu vizinho, o Sr. António, que agora fechava a porta antiga do seu prédio, cicatrizada por muitos defeitos imputados ao longo dos anos, e já um pouco torta, aliás em tudo semelhante a ele, tinha um ar diferente. Não sabia dizer porquê, e aliás algo deveria ser diferente dos outros dias, porque ele nunca saía de casa a esta hora. Estaria a ver o canal 7 da televisão até pelo menos às dez horas da noite. E ainda eram oito. Isso deixou-o pensativo. Lentamente, pé ante pé, lá se dirigiu o seu vizinho, rua abaixo até um destino desconhecido, pelo menos para ele, que observava. Agora já só conseguia vislumbrar uma silhueta, causada pelas luzes estranhas da rua, e que adulteravam o seu vizinho, diria que seria outra pessoa, talvez fosse. Talvez as pessoas se transformassem às escuras, confirmando aquelas histórias do papão que todos ouvimos quando somos novos. Provavelmente até mudam. Todos mudamos. A vida é uma inteira mudança, nada dura pouco nem muito para que possa ser absorvido de maneira correcta. A não ser pela memória. Ela é a única que pode comprovar a nossa existência. Não a nossa existência como seres humanos, tal como os outros animais. Mas a outra existência.A existência que todos achamos que temos, mas que poucos têm, a existência que importa realmente. Qual é ela? Não sabe. Ainda. Espera vir a saber.

 

 

Nesta altura já nem vê o vizinho apenas a rua vazia de noite ou de qualquer outra coisa humanamente visível. Tem piada, quando vivia na sua aldeia, as ruas continham algo, algo substancial, palpável, como se outro ser estivesse sempre lá, não deixando as pessoas sozinhas nunca. Contudo na aldeia era tudo um pouco monótono. Precisava de ritmo, movimento. Uma espiral de sensações e experiências que o arrancasse do torpor que vivia. Acabou por conseguir, em parte. Mas ainda buscava algo.

 

Um cheiro a café invadiu-o. Forte. Devia vir do apartamento superior, de vez em quando eles faziam café. Gostava do cheiro, aspirava-o lentamente, inspirava e expirava devagar, enquanto o cheiro persistisse. Mas não gostava de beber, sentia-se desiludido perante aquele sabor, quando comparado ao olfacto. Não lhe sabia ao mesmo, sentia-se sempre ludibriado. Não gostava disso.

 

Acabou por passar o cheiro. Então tomou o chá que tinha à sua berma no parapeito da janela. Sim estava sentado na janela, com as pernas balançando no lado exterior. Mas morava no rés-do-chão, não haveria problema se caísse, mesmo que quisesse que isso acontecesse. Enfim bebeu o chá golo, por golo. Esperando algo que acontecesse ali, que lhe despertasse os sentidos, arrepiasse os cabelos, abrisse a boca de espanto, ou trincar a língua de anseio, qualquer coisa. Esperava, observando.

 

 

sinto-me: doente (mesmo)

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