Does it make any sense?! No? So, welcome.
05
Nov 08
publicado por Andi, às 20:00link do post | comentar

Sou alérgica a pó de arroz. (Provavelmente, mas não a este!)

 

 

 

Porquê escrever algo quando se pode ouvir?

sinto-me: ok
música: Pó de Arroz-Carlos Paião

18
Out 08
publicado por Andi, às 22:09link do post | comentar

O vizinho do apartamento da frente preparava-se para sair. Casaco castanho, calças pretas, camisola preta também, um guarda-chuva preto na mão, e um ar de cansaço estampado no seu rosto velho e enrugado. Barba por fazer de há uns dias. Cabelo desgrenhado. Estava mais débil do que há uns dias. Tinha de saber porquê. Ainda há cinco semanas e meia, às sete horas da noite, havia chegado uma ambulância a sua casa. Lembrava-se bem desse episódio. Piada dizer isto. Lembrar-se bem. Não havia nada que ele não quisesse lembrar e não o conseguir. Enfim, isto não se tratava dele. Tratava-se do vizinho da frente. António Morais, de nome, 57 anos, viúvo e vive apenas com um gato peludo e curioso, inclusive já tinha ido ao seu apartamento algumas vezes. Três, para ser preciso. Duas vezes no mês de Janeiro de há dois anos atrás e uma outra vez em Setembro do último ano. Não tinha nada contra animais, mas não estava habituado a ter companhia (pelo menos tão próxima), portanto esperava que o gato não voltasse ao seu apartamento tão rapidamente.

 

Voltando ao seu vizinho, o Sr. António, que agora fechava a porta antiga do seu prédio, cicatrizada por muitos defeitos imputados ao longo dos anos, e já um pouco torta, aliás em tudo semelhante a ele, tinha um ar diferente. Não sabia dizer porquê, e aliás algo deveria ser diferente dos outros dias, porque ele nunca saía de casa a esta hora. Estaria a ver o canal 7 da televisão até pelo menos às dez horas da noite. E ainda eram oito. Isso deixou-o pensativo. Lentamente, pé ante pé, lá se dirigiu o seu vizinho, rua abaixo até um destino desconhecido, pelo menos para ele, que observava. Agora já só conseguia vislumbrar uma silhueta, causada pelas luzes estranhas da rua, e que adulteravam o seu vizinho, diria que seria outra pessoa, talvez fosse. Talvez as pessoas se transformassem às escuras, confirmando aquelas histórias do papão que todos ouvimos quando somos novos. Provavelmente até mudam. Todos mudamos. A vida é uma inteira mudança, nada dura pouco nem muito para que possa ser absorvido de maneira correcta. A não ser pela memória. Ela é a única que pode comprovar a nossa existência. Não a nossa existência como seres humanos, tal como os outros animais. Mas a outra existência.A existência que todos achamos que temos, mas que poucos têm, a existência que importa realmente. Qual é ela? Não sabe. Ainda. Espera vir a saber.

 

 

Nesta altura já nem vê o vizinho apenas a rua vazia de noite ou de qualquer outra coisa humanamente visível. Tem piada, quando vivia na sua aldeia, as ruas continham algo, algo substancial, palpável, como se outro ser estivesse sempre lá, não deixando as pessoas sozinhas nunca. Contudo na aldeia era tudo um pouco monótono. Precisava de ritmo, movimento. Uma espiral de sensações e experiências que o arrancasse do torpor que vivia. Acabou por conseguir, em parte. Mas ainda buscava algo.

 

Um cheiro a café invadiu-o. Forte. Devia vir do apartamento superior, de vez em quando eles faziam café. Gostava do cheiro, aspirava-o lentamente, inspirava e expirava devagar, enquanto o cheiro persistisse. Mas não gostava de beber, sentia-se desiludido perante aquele sabor, quando comparado ao olfacto. Não lhe sabia ao mesmo, sentia-se sempre ludibriado. Não gostava disso.

 

Acabou por passar o cheiro. Então tomou o chá que tinha à sua berma no parapeito da janela. Sim estava sentado na janela, com as pernas balançando no lado exterior. Mas morava no rés-do-chão, não haveria problema se caísse, mesmo que quisesse que isso acontecesse. Enfim bebeu o chá golo, por golo. Esperando algo que acontecesse ali, que lhe despertasse os sentidos, arrepiasse os cabelos, abrisse a boca de espanto, ou trincar a língua de anseio, qualquer coisa. Esperava, observando.

 

 

sinto-me: doente (mesmo)

30
Set 08
publicado por Andi, às 20:22link do post | comentar | ver comentários (10)

Enfim, se tinham saudades minhas antes, agora vão-se lamentar porque i'm here now! Graças ao senhor da internet (não faço publicidade no meu blog) que amavelmente a veio instalar...

 

Que dizer?? Acho que tenho acumulado tanto que agora não me sai nada patavina. Com certeza quando sair vai ser uma espécie de enxurrada autêntica, vigorosa e luxuriante de verborreia. Perfeita e doce verborreia. Só quero descansar os meus leitores, que não fui assaltada (ainda), nem raptada (ainda), nem ameaçada (ainda), nem espancada (ainda), nem assediada (ainda)... Esperem! Hoje um indivíduo passou por mim e disse "(...) boa", sinceramente não percebi tudo o que ele disse, nem lhe vi a fronha, mas algo simpático não era de certeza. Enfim, insignificâncias do dia-a-dia, isto acontece em todo o lado.

 

 

Quero afirmar que já fiz figura de parola imeeeeeeeeeensas vezes. Quem é que não sabe que os sacos no Mini-Preço vendem-se? Ninguém, não é? Pois, assim fiquei eu sem saber que dizer quando a mulher da caixa me pergunta quantos sacos são. Eu:Hun? Ela:Quantos sacos quer? Eu para os meus neurónios quase abandonados: Eu só quero sacos para levar as compras, mais nada. Mas permaneci calada e com uma cara aparvalhada.

 

Só que algum tempo depois uma alminha caridosa disse então: "Um!". E como uma menina do jardim de infância fui ensinada que no Mini-Preço e outros se vendem sacos. E isto é só a ponta do iceberg meus amigos.

 

Para a próxima conto-vos mais. E isto está-se a tornar mesmo pessoal, caraças!

 

 

Enfim, para concluir estou a gostar de Lisboa. Movimento. Movimento. MUITO movimento. Aqui só se anda depressa ou corre. Gostei das partes antigas da cidade, e penso que tenho uns bons anos, ano vá, de exploração a estes recantos encantadores da cidade das sete colinas. Por um lado, existe muita falta de privacidade aqui, nos apartamentos, por exemplo. Se o vizinho de cima, se descuidar, com certeza o vou ouvir aqui no rés do chão. Às vezes somos obrigados a revelar mais de nós em certas situações do que habitualmente. Mas por outro lado existe um grande anonimato. Uma controvérsia de ideias e lógica esta cidade. Irracional. Por isso gosto.

sinto-me: feliz xD

16
Set 08
publicado por Andi, às 00:55link do post | comentar | ver comentários (6)

E pronto, amanhã de manhã apanho o avião. Vou ficar um dias sem vir aqui, aproveitem e descansem!!

 

 

Até jáaaaaa!

tags: , ,
sinto-me: parvinha de todo
música: none

14
Set 08
publicado por Andi, às 23:06link do post | comentar

Novamente como uma Little Miss Sunshine (já se começa a tornar um hábito, acho que aquele filme ficou colado aos meus pensamentos, principalmente a música final) gritei de entusiasmo ao ver que tinha sido colocada na universidade no curso que queria. Qual e onde, não digo, existem muitos predadores à espreita nesta selva quase amazónica da internet, segundo a minha mãezinha afirma. Enfim, ando a fazer malas, entusiasta a pensar na nova etapa que se aproxima. Isso e dançar! Like a Little Miss Sunshine! (Juro que tenho ouvido esta música muitas vezes - demasiadas até).

 

 

sinto-me: la la la la la la
música: U can't touch this - MC Hammer

13
Set 08
publicado por Andi, às 19:32link do post | comentar | ver comentários (6)

Depois de arrancar metade dos cabelos, levando atrás também uma boa percentagem de parasitas simpáticos, de roer as unhas, menos a do indicador, que necessito dela para tocar viola, de respirar fundo e expirar muitas vezes como se estivesse em trabalho de parto, de tentar ocupar-me com coisas ridículas durante o dia, já estou em frente ao pc, agarrada à net, à espera que saiam as colocações do ensino superior...Faltam qualquer coisa como quatro horas... Enfim, para preencher o tempo estou aqui a escrever barbaridades, e aqui fica uma música que gosto bastante, "My sharona", energética, dá-me vontade de fazer air guitar, e é isso mesmo que vou fazer, ora com licença.

 

 

sinto-me: ansiosa
música: The Knack - My sharon

05
Set 08
publicado por Andi, às 23:33link do post | comentar | ver comentários (6)

Não é segredo para quase ninguém, que existem épocas que eu quase devoro livros, literalmente. Ok, quase literalmente.

 

Assim sendo,senhoras e senhores, crianças e idosos vou apresentar-vos os meus companheiros deste Verão (desculpa Jossy :S)  :

 

O velho que lia Romances de Amor, de Luís Sepúlveda

 

 

O primeiro que li. Simples, mas encantador, a meu ver. Gostei de todo o aspecto da selva amazônica. Uma excelente obra e que se lê muito bem.

 

 

O Ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago

 

 

Imagem péssima. O livro não foi muito melhor. Sinceramente não volto a ler Saramago nos próximos dez anos. Péssima experiência, ia a um terço do livro e já sabia como ia acabar, pode parecer arrogância, mas é a verdade. Quatrocentas páginas, cinquenta de história propriamente dita, e o resto notícias, pormenores futeis e insignificantes, enfim que dizer,demore quase o Verão todo nisto, grande desperdício.

 

A pérola, de John Steinbeck

 

 

De todos estes o melhor que li. Igualmente uma história simlpes, mas com uma grande carga simbólica, é uma espécie de conto popular, aliás a história tem  essa raíz popular. Obrigado ao seu dono por me ter emprestado xD

 

Lolita, de Vladimir Nabokov

 

 

Ainda vou a meio, mas já percebi toda a polémica e escândalo que envolveu este livro quando saiu. E mais não digo.

 

 

música: Foo Fighters - Learn To Fly

publicado por Andi, às 15:02link do post | comentar

É engraçado como um momento por qual ansiámos há muito nos assusta profundamente quando se aproxima. Temos medo da mudança, de não nos adaptarmos, pelo menos eu tenho.

 

Numa selva descontrolada de betão, que arrasta avassaladoramente todos os seus constituintes, sufocantemente impessoal, sem saída a não ser uma estação de metro perdida no tempo, com as paredes riscadas com corrector que já vai a meio, pois já riscou metade das mesas da escola, com jornais de outros tempos, percorrendo rapidamente o chão sujo, alimentados por não sei que aragem... Uma cidade gigantesca espera por mim, ou não, apenas aguarda-me sem impaciência alguma para me deglutir dentro das suas fronteiras digestivas e lançar-me ácidos corrosivos até nada restar de mim nada, nem a minha memória, nem uma foto minha, por mais antiga que seja a mostrar-me morena de pele e sorridente, apagar por completo tudo o que me diz respeito.

 

 

Retrato negativista. Negro. Propositadamente constrangedor e ameaçador.

 

 

Se eu acredito nisso?! Não. Pura e simplesmente.

 

Admito, sou ingénua. Gosto de ver o lado bom das pessoas, tudo me parece fantástico, gosto de ver um miúdo a brincar e a divertir-se genuinamente, não pensando se ele eventualmente é cruel para as outras crianças, acho piada a uma pista de carrinhos de choque vazia, gosto de ir à praia apenas para me sentir livre, areia e mar apenas. 

 

Não sei se será fácil esta mudança, isso depois vê-se, mas é algo por o qual tenho esperado, por ser isso mesmo, uma mudança. 

 

É certo que serei just another girl in the town. Mas será isso mau?! Numa perspectiva geral, não acho.  Até acho piada ao mistério e ao desconhecido, pois a uma curiosidade inata faminta, e por vezes aborrecida o desconhecido apresenta-se como uma verdadeira iguaria. Às vezes interrogo-me se conseguirei atingir aquilo que quero, mas não é disso que falo, aliás do que falo?!

 

Isto parece um post cheio de raiva e rancor por uma fugitiva de um manicómio e destinado a um sacana convencido qualquer. E é mesmo. Portanto, lê sacana!

01.Carvel - John Frusciante (Shadows Collide With People - Acoustic)

 

 

 

 

When I try I force it out
Never looking in only out
Now is the time for a millions to lose
Never the same since I lost you
Running me out the town
Wishing the best around
Would only get off my back
Heaven receives you and throws you back

Sending a dummy to my God (x4)

Driving to eat a Carvel cake
Somewhere you know isn't where you think
Have you gone away
Have you gone, have you gone away already
(come back, come back, come back, come back)
Have you gone, have you gone away already
(come back, come back, come back, come back)
Have you gone, have you gone away already
(come back, come back, come back, come back)
Have you gone, have you gone away already

All the good times are on their way
Up and down that's how energy stays alive
Up and down that's how energy stays alive
And I wouldn't have it any other way

 

PS. Prometo que não faço mais posts rancorosos e psicopatas como este. Eu sei que já postei aqui a música, mas penso que já se esqueceram, continuarei a relembrar-vos!

 

PSS. Não acreditem em tudo o que digo...

sinto-me: maléfica e infantil xD
música: John Frusciante - Carvel

21
Ago 08
publicado por Andi, às 23:43link do post | comentar | ver comentários (6)

Como uma verdadeira Little Miss Sunshine fiquei estupefacta quando recebi um e-mail da Revista Malagueta a dizer que a nova edição tinha saído e que os meus textos tinham sido publicados! Passei então só para dar uma de vaidosa e para dar a conhecer este projecto. Recomendo que visitem, nem que seja para ver lá os meus textos!

 

sinto-me: contente

02
Ago 08
publicado por Andi, às 15:47link do post | comentar | ver comentários (5)

Porque os blogs também fazem anos, este menino aqui fez um ano. Nem tenho tido tempo para escrever, o que é um pouco mau, visto que até tinha na ideia escrever um texto que me anda a atormentar há uns dias. Enfim, terei bastantas oportunidades, espero eu.

 

Um ano já é substancial, penso eu. E ao ler alguns posts inicais consigo descobrir pequenas evoluções, se não for muito arrogante dizer isto, e não sou a única a achá-lo. No início era mais "fechada", obedecia a um conjunto de regras previamente estipuladas por ninguém, mas mentalmente feitas por mim. Restringia-me ao assunto, tentava fazer algo certo. Penso que hoje relativizei bastante mais as coisas (vai-se lá saber porquê), e tenho mais consciente que não há certo nem errado, feio nem bonito, pelo menos em termos de escrita, e também em geral. Muitas vezes escrevo o que me vem à cabeça, ideias desorganizadas, e não revejo o que escrevo, nunca! Parecem-me ideias anciãs aquilo que escrevo. Enfim, acho que até na escrita procurei uma maneira de me libertar, e que talvez tenha, parcialmente conseguido. Espero eu. 

 

E bem, já falei mais de mim do que devia, afinal éo blog que faz anos, que venha mais um!!  

sinto-me: aniversariante

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