Does it make any sense?! No? So, welcome.
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Ago 07
publicado por Andi, às 02:49link do post | comentar | ver comentários (4)

Quando chedou a casa, exausta, mas contente, até se poderia dizer feliz!, deparou-se com a Arminda, a responsável pelos que viviam na Instituição. Os olhos de ambas encontraram-se, avaliando primitivamente os desejos e receios de cada uma, Arminda compreendeu que Fantasia estava radiante, como nunca antes tinha visto, e Fantasia, por sua vez, apercebeu-se que Arminda estava determinada em arrancar-lhe esse prazer, queria que ela Lhe obedecesse, e não fosse rebelde, que simplesmente fosse como todos os outros e não lhe causasse transtornos... Ambiguamente, sabia também, subconscientemente, que por mais que fizesse e tentasse não o conseguiria!

 

 

Arminda, carrancuda e amarga, nem tentou falar com Fantasia, pois não havia linguagem mais explícita do que a da linguagem do olhar... Com uma roupa cinzenta, desgastada, parecendo também Arminda cinzenta e desgastada, mostrou a Fantasia aquilo que ela já esperava e que todos na casa temiam, a velha bengala da fundadora da Instituição. Já deveria ter mais de meio século, mas continuava, como a Instituição, inquebrável, teimosa em fazer-se vingar, maliciosamente persistente, atormentando todos!

 

Fantasia, ciente do que lhe esperava nem se mexeu, nem tão pouco mostrou algum indício de medo, ou de arrependimento, porque na verdade não sentia nada disso! Sentiu o primeiro impacto com mais intensidade, mas agarrou instintivamente o pedaço de metal que encontrara na praia, o seu presente. Nos seguintes minutos pouco ou nada sentiu, não proferiu uma única palavra, nem mexeu um músculo. Também ela se mostrava impenetrável, impertubável e insensível ao que se passava naquele momento, tal como Arminda.

 

 

A velha decidiu parar, o que já sabia interiormente tornou-se súbitamente claro, não conseguiria "quebrar" Fantasia com aquele método. Fantasia não temia a dor física, temia sim outro tipo de dores. Foi então que teve uma ideia que lhe pareceu genial, infalível - fecharia Fantasia num quarto de onde não poderia ver o mar! Como tinha sido estúpida ao não ter pensado nisso antes!!!

 

*

 

 

Escuro, húmido, vazio, estranho.... Era assim que Fantasia sentia que era a divisão onde se encontrava. Já tinha perdido um pouco aquela sensação inebriante, entusiasta, estonteante que sentira, após ter deixado a praia. O escuro, o medo de não poder sair dali, de ser prisioneira sugava-lhe a amálgama de sentimentos efusivos que anteriormente sentira. O único sítio por onde escoava um fio fino, quase imperceptível de luz, era uma pequena janela no lado sul do quarto, e que apenas dava para vislumbrar os canteiros maltratados da casa. Quase entrou em pânico, pois a janela era bastante pequena, e para além do mais estava trancada, pelo exterior... Tentou parti-la com os punhos fechados, mas o vidro era bastante resistente, tinha que arranjar um objecto duro! Desesperada por sair dali, por respirar, por se sentir livre, pensou no mar... Como seri bom ser como o mar! Liberto, sem ter para onde ir, sentir o vento enquanto viaja, sem pressões, a vaguear conforme quisesse.... Nesse momento lembrou-se do seu magnífico presente, e de como ele lhe poderia ser útil naquela situação. Imediatamente, arremessou o dito presente contra a janela, e conseguiu fazer um orifício pequeno, mas suficiente para a sua mão. Rasgou um pouco da sua saia verde, de tecido grosseiro e já um pouco velha e tentou embrulhar a mão no pano, para evitar magoar-se, e meticulosamente, abriu o fecho, e, seguidamente a janela.

 

 

Manchada de sangue, pois magoou-se ao passar pela janela, e nos estilhaços de vidros; suja, esguedelhada, com o pedaço de metal na mão e com um olhar triunfante, poderia parecer uma louca. Estava delirante! Correu, sem pensar na Arminda, nas consequências que teriam a sua fuga, sem pensar em NADA!

sinto-me: liberta

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