Does it make any sense?! No? So, welcome.
14
Jul 09
publicado por Andi, às 20:22link do post | comentar | ver comentários (2)

Gostava da chuva, mas gostava do sol, adorava o barulha das gotas a pingar de um telhado esverdeado pelo musgo, ping ping, mas também adorava o calor abrasador que fazia as paisagens parecerem de cores mais vivas, de ver os gatos deitados ao sol, as crianças a brincar na rua...

 

Tinha estado a dormir muito tempo. Tempo demais. Tinha consciência dos sonhos e dos pesadelos que tinha tido, mas agora estava acordada, e não iria dormir outra vez, não, não outra vez!

 

Queria subir montanhas e descer vales profundos, queria fazer o que queria, mas queria também fazer outras coisas, queria aprender, queria esquecer-se, mas não queria sonhar. Não! Queria correr, rebolar em prados verdejantes, rebolar e arranhar-se na cara e nas pernas e nos braços, correr até ficar a arfar, para depois ir para casa, tomar banho com água quente e sentar-se num lugar confortável, a lamber as suas feridas. Queria viver com os animais, mas queria ser grande entre os Homens. Queria o Inverno e o Verão. Queria ter tempo para isso tudo, queria ser o tempo!

 

Queria tudo, menos dormir novamente.

música: No Rain- Blind Melon
sinto-me: investigadora xD

05
Set 08
publicado por Andi, às 23:33link do post | comentar | ver comentários (6)

Não é segredo para quase ninguém, que existem épocas que eu quase devoro livros, literalmente. Ok, quase literalmente.

 

Assim sendo,senhoras e senhores, crianças e idosos vou apresentar-vos os meus companheiros deste Verão (desculpa Jossy :S)  :

 

O velho que lia Romances de Amor, de Luís Sepúlveda

 

 

O primeiro que li. Simples, mas encantador, a meu ver. Gostei de todo o aspecto da selva amazônica. Uma excelente obra e que se lê muito bem.

 

 

O Ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago

 

 

Imagem péssima. O livro não foi muito melhor. Sinceramente não volto a ler Saramago nos próximos dez anos. Péssima experiência, ia a um terço do livro e já sabia como ia acabar, pode parecer arrogância, mas é a verdade. Quatrocentas páginas, cinquenta de história propriamente dita, e o resto notícias, pormenores futeis e insignificantes, enfim que dizer,demore quase o Verão todo nisto, grande desperdício.

 

A pérola, de John Steinbeck

 

 

De todos estes o melhor que li. Igualmente uma história simlpes, mas com uma grande carga simbólica, é uma espécie de conto popular, aliás a história tem  essa raíz popular. Obrigado ao seu dono por me ter emprestado xD

 

Lolita, de Vladimir Nabokov

 

 

Ainda vou a meio, mas já percebi toda a polémica e escândalo que envolveu este livro quando saiu. E mais não digo.

 

 

música: Foo Fighters - Learn To Fly

21
Jun 08
publicado por Andi, às 17:55link do post | comentar | ver comentários (5)

O Verão começa hoje. Em miúda sempre associou o Verão a um fruto grande e maduro, e vermelho. Suculento e luzidio. Que daria uma sensação de prazer quase orgásmica ao comê-lo. Óbvio que não pensou nestes termos, mas o pensamento era o mesmo. Saía de casa com as suas saias com bolinhas laranjas e ia pelas ruelas acima e abaixo na sua bicicleta rosa choque. Os outros meninos também tinham bicicletas, e acompanhavam-na. Iam para o outro lado da vila, onde havia um pequeno lago e árvores verdes e frondosas, que davam uma sensação de frescura perante o calor agonizante de certas tardes de Verão. Cerejas, morangos, maçãs, peras, mirtilos, amoras, melancias, melões... Gostava de ir ao supermercado ver as frutas dispostas nas bancadas, e as várias pessoas a experimentarem-nas, a apertarem-nas, até elas libertarem a sua essência nutritiva. Parecia que apenas procuravam isso, sentir as frutas quase a desfazerem-se nas suas mãos ansiosas.

 

 

O Verão começa hoje. Que bom! Tinha que procurar as suas saias, e montar na sua bicicleta para ir até ao lago, ou até ao supermercado com os seus amigos, a Rosita e o José.

 

"Vou sair. Antes de anoitecer estou em casa."

 

"Onde vais?"

 

"Vou ter com a Rosita e o José, o Verão começou hoje!"

 

"Senhora Ana, estamos em pleno Inverno, e a Rosita e o José não estão aqui."

 

Aproximou-se. E com alguma força ajudou a senhora Ana a voltar ao quarto, e pensou que teria que avisar o médico, pois a situação estava a piorar. Estava a chover a potes, e se não fosse ela, a senhora Ana teria saído para a rua nem se apercebendo do autêntico vendaval que se aproximava e pensando que era Verão.

 

 

Verão, Giuseppe Arcimboldo, 1573

sinto-me: estranha...

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